As exigências do mundo laboral, da organização da sociedade e da própria natureza colocam desafios à felicidade do indivíduo. Neste artigo vemos como diferentes culturas do mundo lidam com esses desafios.
Muitas geografias, uma felicidade?
No mundo culturalmente rico em que vivemos, existem muitas filosofias de vida diferentes, cada uma adaptada à realidade que lhe deu origem. Mas que pontos em comum têm essas formas de estar e como podem elas contribuir para a sustentabilidade da nossa felicidade? Para responder a esta pergunta reunimos sete conceitos originários de diferentes países e procuramos entender os motivos da sua popularidade.
Muitos destes conceitos podem ser mal compreendidos e confundidos com ideias negativas, mas eles foram criados precisamente para contrabalançar fatores que tendem a prejudicar a nossa existência. Afinal, são tradições que passaram o teste do tempo e continuam a ser valorizadas nos dias de hoje. Vamos conhecê-los.
1. Buen Vivir
Começamos por uma filosofia característica da américa latina, especialmente de países como o Equador e a Bolívia, em cujas constituições se encontra inscrita. O Buen Vivir, tal como praticado atualmente, é uma versão moderna de um conceito de raízes indígenas (Sumaq Kawsay), mas mantém o seu elemento fundamental: a ideia de que devemos procurar satisfazer as nossas necessidades mantendo um equilíbrio na nossa relação com a natureza, ou seja, tirando dela apenas aquilo de que necessitamos. Neste sentido, o Buen Vivir tem uma afinidade com a sustentabilidade ambiental que não podia ser mais atual. Mas é também um conceito de forte sentido social em que o bem comunitário é colocado acima do benefício individual, privilegiando valores como a solidariedade e o respeito.
2. Felicidade Interna Bruta (FIB)
Esta é a filosofia nacional do Butão. Neste pequeno país do sudoeste asiático, o bem-estar espiritual e emocional da população é considerado mais importante que o crescimento económico, daí a intencionalidade do nome em relação ao acrónimo PIB (Produto Interno Bruto). Os desafios trazidos pela vida são aceites como fazendo parte da jornada da população e não como algo que se deva lutar para eliminar.
3. Lagom
4. Hygge
5. Ikigai
6. Þetta Reddast
7. Leve-Leve
8. (Bónus) Fika
Conclusão: unidade na diversidade
Como vimos, há princípios que são transversais a filosofias de vida originadas em diferentes pontos do planeta. Desde logo a importância dada ao equilíbrio mental e emocional, essa necessidade tantas vezes invisível mas fundamental para uma vida feliz. Para que esse equilíbrio seja sustentável, é importante relativizar a importância do trabalho e de outras responsabilidades, não deixando que estas prevaleçam sobre as coisas que definem o nosso bem-estar: a socialização, o descanso e as ocasionais indulgências gastronómicas.
Ainda no que toca ao trabalho, é bom estarmos alinhados com as nossas paixões. Sermos movidos por objetivos que sejam pessoais e não apenas os de outra entidade é o que verdadeiramente contribui para uma vida emocionalmente preenchida.
Outra característica frequente é a ideia de justa proporção. Não usar mais do que o necessário para as nossas necessidades é uma forma de não excedermos as nossas possibilidades económicas mas também um princípio que contribui para a sustentabilidade ambiental do planeta.
Quanto à utilização do tempo, abrandar o ritmo ou parar completamente é uma forma inteligente de garantir o nosso bem-estar. Tempo é dinheiro, mas também é saúde.
Por isso, se algum dia sentir falta de motivação, cansaço ou uma sensação de vazio, experimente pôr em prática alguns destes princípios. Talvez descubra alguns ingredientes “mágicos” que tornarão a sua vida mais feliz.
Crédito fotográfico: João Marcelo Martins
